quinta-feira, 19 de março de 2015

O pragmatismo, é trocar Samuel por Saul




1° Samuel: 8. 5-7

"E lhe disseram: Eis que já estás velho, e teus filhos não andam nos teus caminhos. Constitui-nos, pois, agora um rei para nos julgar, como o têm todas as nações. Mas pareceu mal aos olhos de Samuel, quando disseram: Dá-nos um rei para nos julgar. Então Samuel orou ao Senhor. Disse o Senhor a Samuel: Ouve a voz do povo em tudo quanto te dizem, pois não é a ti que têm rejeitado, porém a mim, para que eu não reine sobre eles."

Conforme o relato acima, houve um tempo em Israel em que o povo exigiu mudança na forma de governo da nação. Eles não queriam mais a figura do juiz, mas sim, um rei como de costume em todos os demais países, a questão por de trás disto, era o fato de que Israel na verdade não queria mais ser governada por Deus, não queria Deus, mas, queria ser como as demais nações, que eram guiadas por homens carnais.


Não estamos alegorizando, ou torcendo o significado e o contexto do texto, porém esta passagem da História de Israel, nos é útil para fazer uma prática aplicação para estes dias, pois, se traçarmos um paralelo e fizermos uma análise simples será possível perceber, que tal comportamento dos israelitas tem se repetido diversas vezes em muitas igrejas evangélicas. 
Muitas igrejas que antes se diferenciavam das outras pelo zelo e amor a Deus, que antes tinham um culto simples, porém, centrado na PALAVRA, que tinha um certo ritmo tradicional, porém, totalmente bíblico, e que verdadeiramente eram submissas ao Senhor, diante das dificuldades caíram na tentação do pragmatismo, de ao invés de fazer o certo, passaram a fazer o que aparentemente "dá certo", passaram a copiar os outros modelos que aparentemente trazem crescimento, caíram no erro de achar "que a grama do vizinho é a mais bonita", e com isso, acabaram trocando "Samuel por Saul". 


Na visão pragmática de querer o que as outras tem, o povo exige mudanças na liturgia. Os cultos "frios" devem ser incrementados com danças, festas, e "mais liberdade", principalmente para atrair os jovens, talvez sem perceber, acabam abrindo a porteira do mundanismo. Tais igrejas que se cansam do tradicional e são seduzidas pelas novidades, são facilmente levadas a desejarem "pastores mais progressistas", com mentes mais "abertas", que não doutrinam, que não excluem, que são do tipo "boa praça", que tem pregação curta e "light", que não julga, nem critica nada e com isso, entregam a chave do curral das ovelhas para lobos vorazes e mercenários, que por conta de suas ambições ferem as verdadeiras ovelhas com seus séquitos sermões, demostrando desprezo pelas Escrituras e nenhum temor ao Senhor. Estas igrejas que quiseram sair das tradições bíblicas, para serem como as outras "igrejas legais", que todo mundo gosta, desprezam o governo e o padrão de Deus.


O resultado disso, é que muitos "Sauls", estão em muitas igrejas. Homens reprovados por Deus e desobedientes estão liderando o povo. Homens fracos, mas orgulhosos, que com toda arrogância pensam poder fazer melhor do que Deus, preferindo sacrificar do que obedecer. 

O que estas igrejas precisam saber, é que este comportamento não fica impune. Embora Deus seja tardio em irar-se, seja galardoador dos que o buscam, rico em graça e misericórdia, ainda assim, Ele não se deixa escarnecer. E por amor ao seu nome, Ele julga seu povo, Ele lança mão de sua vara corretiva e disciplina aqueles a quem também ama, assim como fez com Israel várias vezes. Quando tais igrejas se arrependem e lembram-se de onde caíram, vem então a restauração e avivamento. Porém, enquanto seguirem obstinadas, não podem esperar coisa diferente, senão ira e furor do Santo Deus.

Os13: 9- 11 - " Para a tua perda, ó Israel, te rebelaste contra mim, a saber, contra o teu ajudador. Onde está agora o teu rei, para que te guarde em todas as tuas cidades, e os teus juízes, dos quais disseste: Dá-me rei e príncipes? Dei-te um rei na minha ira, e tirei-o no meu furor."

#solideogloria

terça-feira, 17 de março de 2015

A excelência no ministério

A excelência no ministério.

A nomeação de obreiros para o ministério pastoral, diaconal e de ensino deveria ser criteriosa, como a Bíblia determina, porém, tenho reparado que muitos líderes e boa parte da membresia de alguns ajuntamentos simplesmente ignoram os princípios mais básicos para escolha de seus obreiros.

Com isso, pessoas desprovidas de capacitação teológica e de plena comunhão com Deus, imaturas na fé, claramente sem aptidão para a função, sem testemunho dos de dentro e dos de fora, com famílias desestruturadas e o principal, sem o chamado de Deus, irresponsavelmente, tem sido escolhidas para a condução da igreja. O trágico resultado desta maneira leviana de constituir obreiros infelizmente conhecemos bem, e listaremos alguns danos à igreja:

Diluição da pregação bíblica em meros conceitos humanistas e sincréticos.

Disciplina eclesiástica inexistente.

Desconhecimento das doutrinas da graça.

Mornidão espiritual e mundanismo.

Estagnação do crescimento saudável.

Dentre outros graves danos.

Precisamos entender que obra de Deus é coisa séria! A igreja não é uma associação qualquer, cuja, liderança possa ser exercida sem critério e sem o claro chamamento da parte de Deus.

O Episcopado não é para curiosos voluntários, ou mero cargo para ser distribuído como ofício político, como forma de agradar pessoas ou determinados grupos na igreja. Antes, o Episcopado, é uma excelente obra que só pode ser exercido por gente plenamente convicta do chamado divino, e que deve ser plenamente reconhecido pela Igreja local. E a régua para avaliar o vocacionado está nas Escrituras em textos como:

1°Tm 3:1-13, At 6:1-3, Tt 1:5-9, 2°Pe 5-1-4

É tempo de clamar a Deus para que Ele abra os olhos daqueles que tem ignorado sua Palavra, fazendo mal ao rebanho, julgando estarem fazendo o bem. E que seja recuperado nas congregações o senso da santidade e da justiça de Deus e da supremacia das Escrituras face aos dilemas da igreja, para que em tudo nos submetamos a Ela em amor e obediência.

#solascriptura
#soliDeogloria

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

O crescimento verdadeiro da igreja



Como se mensura o crescimento de uma igreja? Pelos batismos? Pelas cartas de transferências? Pelo aumento do patrimônio? Pelo volume das contribuições? Bem, se os números são os critérios adotados, certamente esses itens demonstram o crescimento. Todavia, igreja não é empresa, para se olhar apenas os números e crescimento numérico as vezes serve apenas como um disfarce em muitas comunidades evangélicas, para ocultar graves problemas que impedem o verdadeiro crescimento.


A igreja sempre cresceu e deve crescer numericamente, não sou contra isso, "Deus sempre acrescentou aqueles que iam sendo salvos", conforme vemos no livro de Atos,  e na verdade ver uma igreja cheia de crentes, cheia de regenerados é uma grande bênção. O problema, é que a geração de líderes de hoje idolatra tanto os números, que muitos em busca de "crescimento" estão pervertendo a mensagem do Evangelho para torna-lá popular e convidativa, e como resultado temos templos cheios, mas de pessoas egoístas que não creem no verdadeiro Evangelho, mas numa religião que lhes concede prazeres materiais, e mera satisfação carnal. Gente que na superficialidade desse falso cristianismo está atrás de frivolidades, posições eminentes, cargos, festinhas, prosperidades e milagres, e que não quer nada de arrependimento, confissão de pecado ou satisfação em simplesmente servir a Cristo. Precisamos entender o que é crescimento saudável de uma igreja para então avaliar se determinada igreja está realmente crescendo.


Deus faz sua igreja crescer. Um planta, outro rega, mas do Senhor vem o crescimento verdadeiro, tenhamos isto em mente.


Saibamos que o crescimento de uma igreja se mede primeiramente pelo seu comprometimento com as Escrituras. Esta foi a primeira característica da igreja primitiva, "e perseveravam na doutrina dos apóstolos" (At. 2:42). Vejamos que dia após dia, eles insistiam em manterem-se firmados nos ensinos dos apóstolos, estes, por sua vez mantinham-se firmados nas palavras de Jesus e na Escritura vétero-testamentária , sem invencionices ou tolas estratagemas para fazer a igreja crescer, pois eles criam que é Deus quem faria sua obra avançar. Vemos que a primeira evidência de crescimento de uma igreja é a fidelidade doutrinária.


"Em cada alma havia temor". Aquela igreja do primeiro século tinha temor a Deus, pois diariamente via os sinais poderosos que Ele executava por meio dos apóstolos, isso os impactava de tal forma que em cada alma havia profundo temor. Hoje, porém, não vemos isso na maioria dos templos evangélicos que estão cheios de gente irreverente e insolente, que transformaram a casa de Deus em verdadeiras casas de tolerância. Isso mesmo, tudo se tornou tolerável, permitido, desde danças extravagantes, fantasias, manifestações estranhas a igreja apostólica, a toda sorte de bagunça e irreverência, tudo feito em nome de Deus e para que a igreja cresça. Uma grande blasfêmia na verdade. Com isso, vemos que o crescimento verdadeiro da igreja, tem como uma das suas características, o temor e reverência de cada pessoa diante do Senhor.

O egoísmo e o hedonismo são as principais marcas da geração pós-moderna. Vale tudo na busca do prazer e da felicidade, e parece-me que esse tipo de pensamento também tem sorrateiramente adentrado pelas portas de muitas igrejas, pois seus membros estão cada vez mais individualistas e preocupados com si mesmos a ponto de não enxergarem as necessidades do outro. O apóstolo Paulo ensina aos Gálatas que precisamos fazer o bem a todos, "principalmente aos domésticos na fé" (Gl 6:10), Jesus deixou claro que seríamos conhecidos como seus verdadeiros discípulos, se tivéssemos amor uns pelos outros (Jo 13:35) e a igreja primitiva assimilava muito bem estes princípios. Diz o texto te Atos 2, no verso 45, que aqueles irmãos"vendiam as suas propriedades e bens distribuindo o produto entre todos, à medida que alguém tinha necessidade", Joh Stott comenta em seu livro que:"Aqueles cristãos primitivos amavam-se uns aos outros, o que não é de admirar, isso porque o primeiro fruto do Espírito é o amor. Em particular eles se importavam com os irmãos pobres e compartilhavam seus bens com eles. Esse princípio do compartilhamento voluntário cristão, é sem dúvida, permanente." ( A Igreja Autêntica, pg. 26). Generosidade, e atenção aos mais pobres, são sem dúvida nobres sinais de uma igreja que cresce verdadeiramente.

"E, perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam juntos com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus, e caindo na graça de todo o povo.". Por fim, outro sinal de genuíno crescimento é a comunhão, a unidade no culto e o relacionamento entre os irmãos fundamentado no amor. Ora, do que adianta uma igreja cheia de pessoas que não possuem laços de amizade e fraternidade? Ou pior, cheia de pessoas que brigam por qualquer coisa, por cargos, por destaques e por outras vãs ambições ou ciúmes? A primeira igreja perseverava também "na comunhão, no partir do pão e nas orações". Aquela igreja era unida, seus fiéis perseveram unanimemente, isso não quer dizer ausência de divergências, mas sim que a fé evangélica estava acima de qualquer diferença ou divergência de opinião. Acima de tudo, estava a alegria de poderem juntos servirem a Cristo, tanto no templo, como nas casas. Eis aí outro maravilhoso sinal de crescimento; comunhão plena, amor fraternal, alegria e constância no culto público, mas também no ajuntamento informal. 

Portanto, a maneira correta de saber se uma igreja está crescendo vai muito além dos números. Sabemos se a igreja está crescendo verdadeiramente, quando ela solenemente  se submete a Palavra e exalta suas doutrinas como verdadeiro tesouro. Sabemos quando uma igreja está crescendo quando as pessoas reconhecem o contraste entre a grandeza de Deus e a pequenez de vossas almas, e, por isso se portam cheias de temor, tremor e reverência diante d'Aquele que é Santo. Sabemos quando uma igreja está crescendo, quando há uma constante preocupação em repartir, em ajudar os mais pobres, em ajudar a quem precisa, em ser generosa. Sabemos quando uma igreja está crescendo, quando esta, é unida e tem a causa do reino em primeiro lugar, quando o trato entre os irmãos é pautado pelo amor, respeito e profundo zelo e amizade. Saibamos por isso, que quando uma igreja tem tais características,Deus em sua soberana e graciosa vontade, salva pecadores remidos e os enxerta na videira, fazendo assim, sua igreja crescer também numericamente de forma saudável.



sábado, 6 de dezembro de 2014

A Ceia do Senhor e o juízo de Deus.

1 Coríntios: 11. 28-32

"Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma do pão e beba do cálice. Porque quem come e bebe, come e bebe para sua própria condenação, se não discernir o corpo do Senhor. Por causa disto há entre vós muitos fracos e enfermos, e muitos que dormem. Mas, se nós nos julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados; quando, porém, somos julgados pelo Senhor, somos corrigidos, para não sermos condenados com o mundo."

Amanhã é domingo, e sendo primeiro domingo de dezembro em nuitas igrejas será celebra a última Ceia do Senhor em 2014.  Por isso o texto a seguir para nossa meditação.

Muitos quando leêm a primeira carta de Paulo aos Coríntios enxergam uma igreja problemática, e de fato, naquela igreja existiam muitos problemas: divisões, tolerância para com o pecado e imoralidades, visão equivocada acerca dos dons do Espírito e de seu uso na igreja, uma liturgia fora do padrão desejado por Deus, irreverência na celebração da Ceia do Senhor e por aí vai. Contudo, é bom entender que a igreja de Corinto, assim como, as Sete igrejas da Ásia, e todas demais igrejas citadas no Novo Testamento, nos servem de arquétipos, exemplos positivos ou não para a igreja de hoje.

Quando Paulo ensina aos irmãos corintios sobre como a Ceia deveria ser celebrada, ele pela direção do Espírito, também aproveitou para alertá-los acerca do perigo que correm aqueles que tomam parte na Mesa, porém, indignamente ou sem o discernimento correto deste importante memorial cristão.

Paulo ensina que tais pessoas estão trazendo sobre suas vidas juízo da parte de Deus, e tal juízo é manifestado pela presença de pessoas "fracas e doentes e muitas que dormem".

Se pararmos para analisar muitas das nossas igrejas de hoje, constataremos muitos crentes fracos, doentes  e que estão dormindo, estes sinais caracterizam pessoas ou congregações inteiras que estão num estado de paralisia espiritual, infrutíferos, irrelevantes e alienados da presença de Deus. Tais pessoas ou igrejas estão sendo julgadas por Deus, pelo fato de em algum momento terem tomado da Mesa do Senhor, indignamente, sem a devida compreeensão e principalmente por não fazerem uma autoavaliação sincera comparando suas ações, práticas e convicções com as Santas Escrituras.

Os irmãos de Corinto estavam comendo e bebebdo a Ceia indignamente e sem a exata compreensão sobre o que de fato representava aquele momento. A mesma situação ocorre atualmente. Embora  ninguém se embreague ou coma desordenadamente, ainda assim, muitos estão comendo e bebendo indignamente quando não reconhecem, confessam e abandonam seus pecados, sendo humildes e contritos, antes preferem manter a hipocrisia das falsas aparências de santidade e retidão, mesmo a consciência lhes acusando de invejas, contendas e outros dolos contidos no coração. Outros comem e bebem a Ceia sem discernimento, quando não entendem biblicamente a realidade e a profundidade da graça soberana de Deus na salvação, antes implicitamente ou até mesmo abertamente associam a salvação com algum próprio mérito, resultante de seus esforços, obediência ou obras.

Muitas pessoas e igrejas inteiras estão sob julgamento e ficaram paralisadas espiritualmente pelo fato de não fazerem uma autocrítica sincera. Quando deveriam refletir humilhando-se sob a potente mão de Deus, persistem em andar na obstinação e dureza de seus corações enganando-se a si mesmos acreditando estarem fazendo a coisa certa.

"Se julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados".

Deus julga seu povo e isso é bom, prova seu interesse por nós, pois do contrário seríamos condenados com o mundo; porém o juízo de Deus é duro, doi e pode nos causar sofrimento, afinal de contas: "Horrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo". (HB 10:31).

Que não sejamos tolos de comungar a Ceia indignamente ou sem o correto discernimento da obra graciosa e redentora de Cristo, antes que examine-mo-nos diligentemente e alcancemos graças do Senhor para sermos frutíferos, relevantes e vividamente atuantes nele pela fé e em amor.

Soli Deo Gloria.

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Revitalização de Igreja: Um Trabalho de Tartaruga, Não de Lebre

Jeramie Rinne26 de Novembro de 2014 - Igreja e Ministério
Você conhece a clássica fábula: o arrogante coelho desafia os outros animais para uma corrida. A tartaruga aceita, para a perplexidade da lebre. A corrida começa e o coelho corre a grande distância – tão grande que, na verdade, ele tem tempo para um cochilo. Mas, enquanto a lebre dorme, a tartaruga fielmente se arrasta e cruza à linha de chegada primeiro, em uma virada dramática. Moral da história: quem segue devagar e com constância ganha a corrida.
Talvez os seminários devessem oferecer uma aula sobre a exegese de Esopo. Com muita freqüência, pastores chegam a uma nova congregação, rapidamente vêem a necessidade de revitalização e arrancam, à velocidade de uma lebre, para virar a igreja de cabeça para baixo. Em poucos anos, graves problemas surgem. E a corrida termina, prematuramente, com uma congregação em conflito e um pastor ferido e pronto a abrir mão do ministério.
Jovens pastores, em particular, podem tornar-se vítimas dos perigos de uma reforma apressada. Isso ocorre, em parte, porque eles geralmente têm muita energia e idealismo, mas pouca experiência; porém, é também porque jovens pastores e igrejas em declínio parecem esbarrar uns nas outras. Uma igreja com problemas diz que deseja “energia nova” e “mais caras jovens” e, assim, está disposta a dar uma chance a um homem mais novo. E o jovem pastor está ansioso por aquele primeiro emprego e pronto para um desafio. E, assim, o ministro recém-formado chega e a corrida começa a uma velocidade assustadora.
Quatro coelhos da reforma de igrejas
Coelhos aparecem em muitas subespécies. Quer dizer, há muitas maneiras de precipitar uma reforma e renovação em uma igreja local, em detrimento da congregação e do pastor. Considere quatro modos arquetípicos pelos quais nós pastores agimos rápido demais em nossos esforços de trazer as mudanças necessárias às nossas igrejas:
O purista
O purista tem fortes convicções teológicas. Ele tem sido abençoado com uma clara visão bíblica para a vida da igreja e sua prática. Ele corre obstinadamente, sem desviar do caminho.
Infelizmente, ele se move rápido demais para a congregação. Nos primeiros seis meses, ele propõe uma nova declaração de fé, uma mudança constitucional para adotar presbíteros e uma limpeza radical do rol de membros. Ironicamente, em seu zelo pela fiel teologia da igreja, ele trata com rudeza o verdadeiro povo da igreja. Ele esbraveja as doutrinas da graça todo domingo, mas falha em mostrar ao seu povo a paciente graça de Deus em sua maneira de lidar com eles.
Esse pastor pode ser demitido rapidamente. E, infelizmente, ele pode ir embora como um mártir teológico em sua própria mente, cego para os seus equívocos. Mais triste ainda, aquela igreja agora está vacinada contra a reforma bíblica de que ela desesperadamente precisa.
O pragmático
O extremo oposto do purista, o pragmático fará “qualquer coisa que funcione” para trazer as pessoas à igreja e mantê-las lá. Nada está fora dos limites, contanto que faça a igreja crescer e não envolva imoralidade flagrante ou óbvia heresia. Um pragmático carismático e talentoso pode fazer uma igreja crescer de 50 para 500 em pouquíssimo tempo, com uma sagaz mistura de humor, tecnologia, liderança e personalidade.
O pragmático pode descobrir como fazer frequência da igreja crescer rapidamente, dando todas as aparências de revitalização. Mas algumas questões importantes permanecem: as pessoas estão verdadeiramente sendo convertidas ao evangelho, arrependendo-se dos pecados e confiando em Cristo? Ou as pessoas estão apenas sendo “igrejadas” de um modo eficiente? Esse pastor está fazendo discípulos de Jesus ou apenas fãs da igreja da última moda? Ele está cultivando uma sequóia espiritual, que cresce lentamente, mas adquire uma estatura majestosa? Ou ele está meramente plantando uma rosa, que hoje desabrocha, mas murcha amanhã?
Infelizmente, quanto mais rápida e efetivamente alguém é capaz de aumentar a frequência de uma igreja, menos provável é que esse alguém questione teologicamente seus métodos. Números nos enfeitiçam.
O imitador
O imitador economiza tempo pegando um atalho: ele meramente replica em sua própria congregação a filosofia, os programas e a estrutura da igreja de outros. Por que reiventar a roda? Por que não simplesmente comprar o livro, participar da conferência, adquirir o kit e baixar os sermões de outra igreja bem sucedida?
O imitador parece com o pragmático e, em um sentido, eles são semelhantes. Mas o purista pode cair nessa tentação também. Imitadores reformados também têm as suas igrejas e pastores heróis também.
Aprender com outros modelos de igreja não é errado. De fato, a Escritura nos ordena a seguirmos os exemplos piedosos de outros (1Coríntios 11.1; Filipenses 3.17) e o apóstolo Paulo chega a apresentar uma igreja local inteira como modelo para outros crentes (1Tessalonicenses1.7). Contudo, nós pastores nos tornamos imitadores quando impomos o modelo de uma outra igreja sem considerar amorosamente o caráter, a história e a cultura singulares de nossa congregação. Nós também erramos como imitadores ao deixar de avaliar o nosso modelo preferido à luz do ensino bíblico acerca da igreja local.
Fazer uma exegese fiel de sua igreja e de sua Bíblia é um trabalho de tartaruga. Não é algo que possa ser feito da noite para o dia.
O narcisista
Esta última lebre talvez seja a mais perigosa. O narcisista vê o ministério da igreja pelas lentes de sua própria narrativa pessoal. Ele vê a renovação e a reforma congregacional como o palco para estrelar um roteiro centrado em si mesmo.
Talvez ele sonhe ser o cara que ajudará a igreja tradicional e enfadonha a se tornar vanguardista. Ou talvez ele se imagine como um ativista que confrontará a complacente igreja de classe média acerca do envolvimento com os pobres. Ou talvez, em sua mente, ele seja a reencarnação de Lutero, procurando uma igreja doutrinariamente vacilante na qual possa fixar as suas 95 teses. Ou talvez ele simplesmente se veja falando a milhares de pessoas e queira transformar a sua congregação naquela megaigreja. É o sonho americano em sua versão pastoral.
Essas ilusões de grandeza tendem a produzir pastores impacientes. Quando estamos cheios de nós mesmos, nós interpretamos reveses no ministério como fracassos pessoais e diminuições na membresia da igreja como ameaças pessoais. Nós corremos como homens desgovernados quando tudo diz respeito a nós.
Agarre-se ao seu casco
E ali está tartaruga. Enquanto os coelhos arrancam em disparada, ela se arrasta fielmente adiante.
A tartaruga se empenha pela renovação por meio de um ritmo constante de pregação expositiva semanal, deixando que a Palavra faça sua obra de transformação. Ele dedica tempo significativo à oração, clamando a Deus por revitalização. Ele caminha devagar o bastante para conhecer e ouvir os membros da igreja, entendendo que não se pode verdadeiramente reformar aquilo que não se ama. Ele tem uma confiança abrangente na soberania de Deus em produzir a mudança necessária, então aqueles reveses caem sobre ele como chuva sobre um casco. Se Deus quiser, a tartaruga está disposta a dispender toda a carreira em uma única igreja. Sua narrativa pessoal é simples: eu sou apenas um servo de Jesus.
É impressionante quão longe uma tartaruga pode ir.
Toda igreja precisa de renovação. A igreja reformada está sempre se reformando. Assim, esforcemo-nos por renovação de um modo que ponha os holofotes na Palavra de Deus, no tempo de Deus e no poder do evangelho, e não em nossa própria criatividade, técnica e personalidade. Então, quando as pessoas lhe perguntarem como nós mudamos a nossa igreja, nós não exibiremos nossas musculosas pernas de coelho. Em vez disso, nós seremos capazes de dizer com toda a sinceridade: “Isto procede do SENHOR e é maravilhoso aos nossos olhos”.

http://www.ministeriofiel.com.br/artigos/detalhes/755/Revitalizacao_de_Igreja_Um_Trabalho_de_Tartaruga_Nao_de_Lebre

PT - Uma estrela cadente

Dando uma rápida olha na minha modesta biblioteca, achei um livro publicado em 2005, do colunista do jornal Gazeta do Povo e da revista ...