quinta-feira, 28 de agosto de 2014

As Boas Novas da Política

A política em si é fascinante admito. Através dela é possível organizar o Estado de modo a executar a promoção da cidadania, da democracia e da justiça. Mas a corrupção do gênero humano tornou a política uma atividade repugnante para aqueles que prezam pela ética, honestidade e transparência, isto porque nos bastidores do poder as relações entre as partes, está baseada em um eterno conflito de interesses pessoais, ideológicos e estratégicos, com isso, para que as instituições do Estado possam funcionar, as negociatas, o famoso "toma lá dá cá", os conchavos e as trocas de favores se tornaram mecanismos indispensáveis nesse jogo de xadrez. Deste forma não tem como acreditar em discursos de ética na política. Política e ética são conceitos praticamente antagônicos, verdadeiros antinômios, não se combinam tal qual água e óleo, sobretudo na realidade brasileira onde o desejo de obter vantagens pessoais indevidas parece estar no nosso DNA.

Isto posto, vejo que a Marina Silva (e devo votar nela possivelmente) levantou o lema da "Nova Política", o neto do Dr. Tancredo, Aécio, fala em fazer "Boa Política", no fundo os dois prometem o impossível, pois uma boa e nova política só será possível quando a corrupção da natureza humana for destruída e teologicamente isso só é possível através do "Novo Nascimento", que é uma total, completa e profunda transformação da maneira de pensar, agir e viver, não só dos políticos, mas de todos nós.


Com isso, não quero desencorajar o voto ou pregar a desesperança, mas quero convidar a você querido leitor a fazer uma reflexão óbvia. A Política só será boa ou nova quando as "Boas Novas" que o Mestre Jesus ensinou se tornarem realidade em cada pessoa. Com isso a Política do auto-benefício, do egoísmo, será trocada pela Política do bem comum, a busca pelas vantagens indevidas, será transformada em política de justiça e cidadania para todos, mas isso somente ocorrerá quando aprendermos a amar e então sabermos compartilhar e promover o bem comum.

Pensemos nisso.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Falando um pouquinho sobre a doutrina da salvação.

A doutrina da salvação tem sido muito mal ensinada em muitas igrejas. Percebo que muitos querendo fugir do tradicionalismo acabam deixando de lado a tradição. Mas, é preciso, porém, deixar claro, que uma coisa é o tradicionalismo e suas prisões denominacionais, e outra coisa bem diferente são a tradição ou a ortodoxia, que são a correta doutrina.

Quanto à ortodoxia quero dizer que a questão não é seguir a escola Calvinista ou a Arminiana, mas a questão é seguir o que Cristo e os Apóstolos nos dizem pelas Escrituras e vemos claramente que os pontos centrais da doutrina bíblica da salvação estão didaticamente expostos na TULIP dos Calvinistas.

A TULIP é um acróstico em inglês, onde cada letra representa um tópico da doutrina e sua ordem está predisposta de forma racional e de acordo com o que a Bíblia diz.

O “T" significa em português, depravação total. Este tópico aborda como a queda afetou moralmente o homem. Este ponto mostra que a queda no Éden fez com que todo caráter do homem fosse afetado pelo pecado, de modo que toda sua vontade e capacidade racional estão sujeitas ao pecado. Jesus, Paulo e várias partes da bíblia confirmam isso. Todos os homens são naturalmente pecadores e totalmente contaminados e escravizados pelo pecado, por isso carecem da glória de Deus, isto é, estão sem comunhão com Ele e sem poder agradá-Lo por suas obras. (Ver: João 6.44; Romanos 3)

A letra "U", fala da eleição incondicional. A realidade da predestinação é clara na Bíblia, muitos textos comprovam este ensino, até o próprio Jesus em muitas vezes menciona os termos "escolhidos", "eleitos", e este ponto mostra que tal ato de escolher não é baseado em qualquer mérito humano, mas no fato de que Deus escolhe e predestina incondicionalmente de acordo com o beneplácito da sua vontade, isto é, a eleição é com base na riqueza da sua graça, posto que ele decida salvar e reconciliar consigo mesmo, pessoas indignas, pecadores que durante suas vidas antes da regeneração, faziam de tudo para negá-Lo e afrontá-Lo através de suas mentes carnais corrompidas pelo pecado. (Ver Romanos 8, Efésios 1; 2º Tessalonicenses 2.13)

A letra "L" seja talvez o ponto mais odiado pelos Arminianos e incrédulos em geral, pois fala da expiação limitada, cujo ensino afirma que Jesus não morreu por todos os seres humanos, mas sim, somente pelos eleitos. Este ensino, embora polêmico tem total respaldo Bíblico, Jesus afirma que só vão até Ele aqueles que o Pai os dá, afirma também que suas ovelhas reconhecem sua voz e O seguem, isto faz todo sentido, posto que a Bíblia ensina que o sacrifício de Cristo é eficaz, isto é, atinge o objetivo que é salvar o homem. Ora, se a expiação fosse ilimitada e ao mesmo tempo, eficaz chegaríamos à salvação de toda a humanidade, que é a heresia antiga do universalismo, não que o sangue de Jesus seja insuficiente para salvar a todos, mas o universalismo é herético porque em nenhum lugar da Bíblia encontramos base para tal ensino, pelo contrário, vê-se claramente que o inferno é real e muitos irão para lá, exatamente porque não houve para estes, expiação, ou substituto penal diante da severa justiça e santidade de Deus. (Ver Mateus 22:14, Hebreus 9.12, João 10)

O penúltimo ponto é iniciado pela letra "I", cujo ensino é sobre a irresistível graça. Todos concordam que todo homem resiste a Deus, mas isto é, até determinado ponto de suas vidas, onde os homens lutam contra Deus não querendo sujeitar-se aos princípios bíblicos. Entretanto, os escolhidos não resistem para sempre. Um claro exemplo disto é Saulo, ele odiava Jesus e os cristãos, gostava de prender, açoitar e consentia com a morte dos crentes, até que um dia a graça irresistivelmente o alcançou e lhe derrubou do cavalo do orgulho e lhe tirou as escamas da ignorância e da falsa religião e lhe converteu ao evangelho e assim como ele, muitos dão testemunho semelhante. Não queriam a salvação, pelo contrário literalmente odiavam o Evangelho, falavam mal dos crentes, mas hoje são exemplos de cristãos. Como bem disse Spurgeon, “a graça não viola a vontade humana, mas docemente triunfa sobre ela”, entendamos com isso que a graça é irresistível também, pelo fato que ela é a manifestação da vontade de Deus, um Deus que é soberano, cujo agir ninguém pode impedir e cujos planos não podem ser frustrados. Portanto, aqueles a quem Deus decidiu salvar serão salvos e nada pode mudar isso, nem se quiserem, posto que suas vontades serão mudadas e receberão gratuitamente fé para crer. Isso é o milagre do novo nascimento! (Ver Atos 9; Ezequiel 11.17-19, Efésios 2)

Por fim, o "P" aponta o ensino da perseverança dos salvos, "uma vez salvos, salvos para sempre". Os Arminianos aceitam que é possível ao crente que verdadeiramente foi lavado e remido no sangue de Jesus, perder a salvação, caso cometa algum deslize. Porém, isto é um erro absurdo. Jesus garante que aqueles que o Pai lhos dá de modo algum ele lança fora, disse ainda que as suas ovelhas ninguém arrebata de sua mão. Paulo declara, que nada, nem ninguém, ou nenhuma circunstância pode separar o eleito do amor de Cristo, além do mais, os dons e as vocações dadas por Deus (e a salvação é um dom) são irrevogáveis. O nome do salvo, uma vez escrito no livro da vida, não pode ser riscado ou apagado, ainda que um salvo tropece, não ficará prostrado. Além disso, se o fato de alguém pecar lhe custa perder a salvação, isto implica que tal salvação está baseada nas obras e não na graça, só por isso, esta possibilidade deveria ser rechaçada de cara, pois não tem respaldo bíblico algum. Mas antes de qualquer questionamento, é evidente que uma pessoa que se diz crente, mas vive em pecados e dissoluções nunca foi regenerada realmente; pois o salvo vive para Deus, em novidade de vida tendo como alvo de vida a glória de Deus, se uma pessoa se batizou, confessou pecados, viveu um bom tempo piedosamente, mas no final se rebelou e negou à fé, esse tal não perdeu a salvação, pois na verdade nunca a teve e não se perde o que não se tem. Como disse o apóstolo João, “estava entre os nossos, mas não era dos nossos”. (Ver João 6.37; Romanos 8.39; 1º João 1.19; 1º Coríntios 6.20, 2º Coríntios 5:17).

Portanto, eis aí um breve resumo da verdadeira doutrina da salvação, conforme as Escrituras registram e conforme os pais da igreja ensinaram e de acordo com os princípios reafirmados pelos protestantes. Doutrina esta, que precisa ser resgatada pelos cristãos deste século, para que eliminemos os falsos ensinos e ao mesmo tempo glorifiquemos a Deus pela sua Palavra.

sábado, 9 de agosto de 2014

Cinco Ideias para Cultivar o Evangelismo

Por : Matt Merker 30 de Junho de 2014
 
O que você precisa para fazer evangelismo? Os ingredientes não são muitos. Você precisa do evangelho, as boas novas de Jesus Cristo. Você precisa de um evangelista, alguém que anuncie essas boas novas. E tem mais uma coisa: você precisa de público — pelo menos uma pessoa que ainda não creu no evangelho.
Para muitos pastores, essa última é a parte mais difícil. Em uma semana repleta de preparo de sermão, reuniões, aconselhamento, administração, visitas a hospitais e ligações tarde da noite pedindo por ajuda; sem mencionar o cuidado da sua própria alma e da sua família, como o pregador consegue encontrar tempo para compartilhar as boas novas com incrédulos?
Em certo sentido, essa é uma tensão boa e necessária. Quando o ministro  responde ao chamado ao pastorado, ele meio que recua da linha de frente do evangelismo para o campo de suprimentos. Ele não mais é um soldado em combate corpo-a-corpo. A sua prioridade agora é agir como um general: o seu trabalho envolve criar estratégias, equipar e delegar (veja Ef. 4.12). A esperança é que, ao treinar evangelistas, ensinar sobre evangelismo e proclamar o evangelho semanalmente à igreja reunida, o ministério evangelístico do pastor multiplique ao invés de diminuir. Isso é bom e correto, e pastores não deveriam se sentir culpados por priorizar o papel singular que Deus deu a eles de cuidar das ovelhas e treiná-las no ministério. Um pastor não é um louco por evangelismo, mas um capacitador de evangelismo.
Mas isso não significa que o seu ministério pessoal de evangelismo deva se desintegrar. Paulo instruiu o jovem pastor Timóteo a fazer "o trabalho de um evangelista" (2Tm 4.5). Até mesmo o maior general ainda é um soldado em essência. O pastor nunca deve se tornar tão confortável em ensinar a outros como evangelizar que o seu próprio zelo por compartilhar o evangelho evapore de tanto ferver em segundo plano. Pastores que são zelosos por evangelismo tendem a ter congregações que são zelosas, enquanto pastores que raramente evangelizam podem descobrir que as suas congregações são igualmente indispostas.

CINCO MANEIRAS DE UM PASTOR CULTIVAR EVANGELISMO

Então, como um pastor pode cultivar oportunidades para o evangelismo? Visto que eu preciso de tanto crescimento quanto qualquer pastor, eu contatei alguns amigos pastores para perguntar-lhes como eles priorizam o evangelismo em suas agendas cheias. Baseado em suas respostas, aqui estão cinco sugestões:

1. Seja Criativo
Primeira sugestão, seja criativo. Para conhecer mais incrédulos, você precisa estar disposto a pensar fora da caixa. Um pastor de uma cidade pequena me disse que ele e seus presbíteros frequentemente fazem suas reuniões administrativas em cadeiras de jardim no seu quintal da frente. Eles estão dispostos a sacrificar a eficiência pela oportunidade de conversar com vizinhos que possam passar por ali — e ficam entusiasmados quando alguém aparece querendo conversar sobre Cabala [tipo de misticismo que se baseia em decifrar a Torá, texto central do judaísmo]. É uma oportunidade instantânea para o evangelho.
Outros mencionaram usar hobbies ou afazeres como maneiras de maximizar oportunidades evangelísticas. Em vez de fazer umas cestas com amigos cristãos, pode-se encontrar um grupo de empresários locais com quem jogar, abrindo a porta para novas amizades. Um pregador da Península Arábica disse que o tempo em família no clube local é uma das melhores maneiras para fazer amizades com aqueles que vivem em sua vizinhança.
Criatividade também é útil quando se tenta transformar uma conversa que seria mundana com um vendedor, um vizinho ou um garçom em questões espirituais. Se alguém está falando sobre as notícias, esportes ou até mesmo o clima, normalmente há uma abertura para apresentar uma relevante verdade sobre Deus ou sobre o nosso mundo caído que possa levar a uma discussão mais profunda. Para isso, é claro, precisamos não apenas de raciocínio criativo, mas de ousadia e amor forjados pelo Espírito para lançar fora o medo do homem e compartilhar Cristo quando é constrangedor fazê-lo.

2. Seja Consistente
Segunda, seja consistente. Você está disposto a abandonar a variedade e comer no mesmo restaurante repetidas vezes para passar a conhecer seus funcionários? Há anos, meu próprio pastor foi modelo dessa consistência em nome do evangelho, tanto que fazemos piadas sobre ele ser o capelão da modesta lanchonete onde todo garçom e garçonete sabe o nome dele e vem a ele com questões espirituais. 
Outro amigo me falou dos frutos que ele desfrutava ao visitar a mesma lavanderia, semana após semana, e orar por oportunidades para falar sobre Cristo com os funcionários. Eventualmente, uma das funcionárias visitou a sua igreja, uniu-se a um grupo de estudo bíblico com algumas das mulheres da igreja e recentemente fez sua profissão de fé em Jesus.

3. Seja Consciente
Terceira, seja consciente. Precisamos orar por consciência com relação aos perdidos à nossa volta. Um aluno de seminário na Inglaterra notou que quando ele está consciente de quantas pessoas — mais provavelmente incrédulos — estão sentadas à sua volta no trem, ele notavelmente abre a sua Bíblia e a lê. Conversas a respeito de Deus frequentemente são o resultado.
Nesse sentido, vale a pena estar consciente da utilidade do título de pastor. Muitas conversas começam com: "Com o que você trabalha?" Responder: "Sou um pastor cristão" pode parecer um pouco “passivo”, então, em vez disso, use uma resposta “ativa”. Por exemplo, eu tentei incluir alguma versão da seguinte frase na minha conversa. Eu digo algo como: "Eu sou um pastor em treinamento em uma igreja. Então eu amo ouvir todo o tipo de pessoas e seus pensamentos sobre Deus, espiritualidade e quem é Jesus".
E não se esqueça de que como pastor você pode servir aos incrédulos na sua vizinhança de maneiras "especificamente pastorais", o que quase sempre contém grandes oportunidades evangelísticas. Um parente de um vizinho faleceu? Ofereça-se para pregar no funeral.

4. Seja Colaborativo
Quarta, seja colaborativo. Encontre maneiras de participar do evangelismo que a sua congregação já está fazendo no local de trabalho e na vizinhança. Um pastor mencionou como alguns empresários da sua igreja formaram um "grupo de investigação de Deus", que se reunia regularmente durante o almoço no escritório, e o convidaram para comparecer de vez em quando para construir relacionamentos. O seu ministério de hospitalidade é uma grande forma de conspirar com amigos cristãos em favor do evangelismo. Organize um churrasco, um jantar ou uma noite de jogos e diga aos membros da igreja que você irá convidar alguns amigos não-cristãos.

5. Seja Comprometido
Quinta, seja comprometido. Nenhum pastor deve necessariamente adotar todas as ideias específicas acima — esse não é o ponto. O ponto é que um ministério de pastorado deve se assemelhar ao do Grande Pastor, que veio para "buscar e salvar os perdidos" (Lc 19.10). O chamado e a agenda singular do pastor certamente tornam isso um desafio, embora devamos também admitir que frequentemente a nossa própria preguiça e o nosso egoísmo nos impedem mais de evangelizar do que circunstâncias complicadas.

ESTUDE E SABOREIE O EVANGELHO
Então, pastor, de que forma acontecerá o comprometimento com o evangelismo na sua rotina semanal? Para começar, deixe-me encorajar você a orar regularmente por oportunidades. Adquira responsabilidade nessa área. Esteja consciente das suas tendências de se omitir.
Mas, o mais importante, estude e saboreie o evangelho. "Pois o amor de Cristo nos constrange, julgando nós isto: um morreu por todos; logo, todos morreram" (2Co 5.14). Entesourar essa preciosa mensagem de Cristo e conhecer o seu poder nas nossas próprias vidas é o melhor antídoto para a atrofia evangelística.

Tradução: Alan Cristie

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Não é gosto, é cosmovisão

A questão não é gostar de uma visão teológica, mas sim entender o que cada uma defende e abraçar e defender aquela que melhor expressa a verdade bíblica e que mais exalta a glória de Cristo.

Antes eu gostava do Arminianismo (e do Marxismo também) porque essa visão valoriza o homem e o coloca como sendo capaz de se salvar através do livre-arbítrio, mas em contrapartida eu repudiava o Calvinismo, porque já esta visão, mostra toda a miséria da raça humana, retira todo o poder do homem se redimir (já que este é totalmete depravado e afetado em todo seu ser pelo pecado) e além disso, o Calvinismo apresenta um Deus soberano que domina sobre tudo e todos, como um absoluto Senhor. Dizia na minha insensatez:"se Deus é tão soberano assim, não passamos de marionetes". Como muitos evangélicos confundia livre-arbítrio com livre-agência... 

Hoje pela graça de Deus, depois de uma profunda reflexão sobre minhas crenças e de muitas crises internas e externas abracei o Calvinismo pelas mesmas razões que antes me faziam detestá-lo.

Percebi que o Calvinismo que erroneamente é reduzido a apenas à doutrina da predestinação, é o sistema "mais bíblico", e que portanto, melhor delinia toda a cosmovisão cristã a partir da concepção de que o Deus bíblico de fato é o Deus Soberano de todo Universo e com graça salva pecadores indignos por meio de Cristo...

domingo, 30 de março de 2014

O juízo de Deus e a doutrina da justificação.


Texto base: Apocalipse 20:11 – 15 e Romanos 3:9:18

Que visão gloriosa, esta que João teve. Ele viu o “grande trono branco”, expressão que denota toda a santidade, poder, glória e majestade de Deus. João viu o dia do julgamento. O dia do juízo final, o dia em que todos os inquéritos serão lidos e processados. O dia em todos os crimes serão relembrados e julgados com justiça. Os crimes mais escandalosos, mas também aqueles pecadinhos mais ocultos, os nossos segredos mais perversos, aqueles que estão trancados nos porões da nossa alma todos eles serão revelados. Todos serão julgados pelo Justo Juiz.

Em Romanos 3:9 o texto apresenta uma conclusão terrível – “TODOS ESTÃO DEBAIXO DO PECADO”. Tanto faz se é judeu ou grego, preto ou branco, rico ou pobre, homem ou mulher, jovem ou velho, todos estão debaixo do pecado e são culpados diante de Deus.

Agora pensemos juntos. Se todos são pecadores e culpados diante de Deus, seria possível alguém com os mais perversos pecados passar pelo tribunal mais poderoso e justo do universo e mesmo com todas as provas e evidências de seus atos maus, serem declarados inocentes? Se Deus é justo e não deixará os pecados impunes, qual a nossa esperança? Como então obter absolvição? Salvação? A resposta teológica é: através da justificação.

Segundo J.I.Packer, em seu livro, “Teologia Concisa”, “A justificação é um ato judicial de Deus, perdoando pecadores, aceitando-os como justos e, assim, tornando-os permanentemente aceitos em seu antes alheio relacionamento com ele.”.

Mas como isso é possível? Como pode haver perdão de pecados, se Deus é santo e justo e é vingador do pecado, que se ira todos os dias (Salmos 7:11), e julgará naquele grande dia, todos os grandes e pequenos sem distinção? A outra resposta teológica para isso é o amor e graça de Deus, através obra de Cristo.
Será que temos ideia do que significa a obra de Cristo? Sabemos o que realmente significou a morte sangrenta da cruz? Pensamos que Jesus morreu como um revolucionário que não teve sucesso em sua revolução? Acreditamos que a morte de Jesus significou apenas a injustiça cometida por um povo atrasado e sem coração? Ou realmente entendemos que o sangue derramado foi um ato de amor e ao mesmo tempo de justiça de um Deus Santo e Gracioso?

Entendamos que a morte de Jesus foi um sacrifício de caráter substitutivo, remidor e expiatório. Mas para entendermos isto, é preciso voltar ao Velho Testamento.

Ainda no Éden, logo após a queda, Deus já mencionou parte do que havia planejado para redimir o homem caído e remover sua vergonha – “E fez o Senhor Deus a Adão e à sua mulher túnicas de peles, e os vestiu.” - Gênesis 3:21 . Algum ser foi sacrificado para cobrir a vergonha dos primeiros pecadores. Ainda em Gênesis 22 quando Deus prova Abraão e lhe pede Isaque em sacrifício, na “h”, quando ele iria descer o cutelo no pescoço do jovem Deus proveu um cordeiro substitutivo.

Na historio do êxodo do Egito, quando Deus livra o povo das mãos de Faraó Ele entrega a Moisés a Lei, nela Deus estabelece um conjunto de rituais que envolvia a morte de animais para expiar o pecado do povo. Em Levítico 17:11 diz: “Porque a vida da carne está no sangue; pelo que vo-lo tenho dado sobre o altar, para fazer expiação pelas vossas almas; porquanto é o sangue que fará expiação pela alma.” Ainda em Hebreu também vemos: “E quase todas as coisas, segundo a lei, se purificam com sangue; e sem derramamento de sangue não há remissão.

Remissão é perdão, clemência. Expiação é sofrer a consequência. Teologicamente, conforme J.I.Packer escreve “expiação significa fazer reparação (...) apagar a ofensa e dar satisfação pelo erro praticado, portanto, significa reconciliar consigo mesmo aquele que está alienado e restaurar o relacionamento rompido”.
Mas o sacrifício de animais era ineficaz, não era perfeito, tinha que ser constantemente repetido e repetido, e repetido...

Por isso Jesus morreu sacrificialmente, pois ele é o Cordeiro pascal expiatório, perfeito, sua morte eficaz valeu de uma vez por todas! Louvado Seja Deus!  O sangue de Jesus é poderoso para remir os pecados para sempre!

Ele morreu na cruz como expiação pelo nosso pecado, isto é, sofreu a culpa por nós como bem profetizou Isaías 53:4-11:

“Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido. Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho; mas o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos. Ele foi oprimido e afligido, mas não abriu a sua boca; como um cordeiro foi levado ao matadouro, e como a ovelha muda perante os seus tosquiadores, assim ele não abriu a sua boca. Da opressão e do juízo foi tirado; e quem contará o tempo da sua vida? Porquanto foi cortado da terra dos viventes; pela transgressão do meu povo ele foi atingido. E puseram a sua sepultura com os ímpios, e com o rico na sua morte; ainda que nunca cometeu injustiça, nem houve engano na sua boca. Todavia, ao Senhor agradou moê-lo, fazendo-o enfermar; quando a sua alma se puser por expiação do pecado, verá a sua posteridade, prolongará os seus dias; e o bom prazer do Senhor prosperará na sua mão. Ele verá o fruto do trabalho da sua alma, e ficará satisfeito; com o seu conhecimento o meu servo, o justo, justificará a muitos; porque as iniquidades deles levará sobre si.”

“O Justo justificará a muitos”...
No dia do juízo final, os livros serão abertos e conforme João viu em sua visão na ilha de Patmos, nestes livros estão os registros de todos nossos atos, cada pensamento mau, cada mentira que dissemos e todos os crimes de foro íntimo, aqueles que ninguém sabe, serão expostos por Deus “pois ele julgará os segredos dos homens”, todos os nossos atos serão julgados e como somos pecadores e a recompensa pelo pecado é morte, estejamos certos do que o que merecemos justamente é a morte, e não há nenhum argumento nosso que poderá reverter esta sentença a não ser a obra expiatória de Cristo.

O justo Jesus justificará todo aquele que nele crer, todo aquele que não mais está debaixo do pecado, mas sim coberto pelo seu sangue remidor!

“Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus. Ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus; Para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus.” (Romanos 3:24-26).

Para ilustrar e concluir esta breve explanação sobre a doutrina da justificação segue o relato de um sonho real contado no Livro “Cave Mais Fundo”de Joshua Harris, pela Fiel Editora:

“Sonhei que estava numa sala cheia de fichários que continham cartões de registros. Era como os fichários que as bibliotecas usavam no passado. Quando abria um fichário, descobria que tinha cartões que descreviam pensamentos e ações da minha vida. A sala era um sistema de registro antigo de tudo de bom ou mau, que eu já fizera. Quando examinei os cartões que estavam sob o título “amigos que traí”, “mentiras que contei” e “pensamentos lascivos”, fiquei dominado por culpa. Momentos esquecidos a muito tempo nos quais pratiquei atos errados, eram descritos em detalhes alarmantes. Cada cartão estava escrito com minha própria letra e tinha minha assinatura. Infelizmente, meus atos errados superavam as minhas boas realizações. Tentei destruir um cartão, desesperado para apagar a memória o que tinha feito. Mas o passado não podia ser mudado. Podia somente chorar diante de meu fracasso e vergonha. Então Jesus entrou na sala. Ele tomou os cartões, um por um e começou a assinar neles o seu nome. Seu nome cobria o meu e estava escrito com seu sangue. Quando despertei do sonho, fiquei bastante emocionado. Nunca havia sido tão consciente de minha culpa diante de Deus e, ao mesmo tempo, da realidade de meu perdão da parte de Deus. O sonho me ajudou a ver que meu fracasso e pecado eram piores que do que eu pensava. Todavia, incrivelmente, a graça e o amor de Deus para comigo em Jesus, eram também muito mais poderosos do que eu jamais imaginara. Na cruz, Jesus tomou o meu lugar. Levou sobre si mesmo todos os meus pecados. As incríveis implicações da morte do Filho de Deus em meu lugar, por meus pecados, inundaram minha alma como jamais o fizera.”


Que Deus nos abençoe...

PT - Uma estrela cadente

Dando uma rápida olha na minha modesta biblioteca, achei um livro publicado em 2005, do colunista do jornal Gazeta do Povo e da revista ...